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26.5.12

o inexcedível


A luz em Gal Costa em Da Maior Importância e as mãos de Caetano Veloso tocando todos os lugares certos.

Tudo doendo dentro e fora de Gal Costa (viver é um desastre que sucede a alguns).

Recanto Escuro e a por onde passeia a beleza absoluta.

O corpo de Gal Costa em Divino Maravilhoso e o tremor das sensações mais recônditas - e tão solares.

A voz de Gal Costa em Autotune Autoerótico. A voz de Gal Costa em Autotune Autoerótico.  A voz de Gal Costa em Autotune Autoerótico.

A canção Neguinho.

A guitarra de Pedro Baby em Vapor Barato e até onde chega o estupor.

Gal Costa sendo o Tim Maia que Tiago Abravanel nenhum jamais poderá ser em Um Dia de Domingo.

Mansidão.

A força estranha de tantas coisas tamanhas.

O inexcedível de Gal Costa no show Recanto. E hoje. E o tempo histórico colidindo com o imensurável tempo sentimental. O mundo de dentro da gente maior do que o mundo de fora da gente.

E a certeza plena de que a humanidade pode se dividir entre os que percebem o que Recanto (esse disco, esse show, isso tudo) faz por nós. E os que não percebem.





5.11.11

corra, é novembro!



E nossa equipe de articulistas-ninja preparou a lista do que você ainda pode fazer antes de se preocupar com as compras de Natal.


  • 05 de NOVEMBRO

Se você também já viu os Strokes em 2005, no saudoso Tim Festival, e também vendeu seu ingresso para o Festival Planeta Terra, só há uma coisa a fazer: conhecer o teatro do Sesc Bom Retiro com a peça Credores, em curtíssima temporada. Se a animação for grande, na sequência pesque Fausto, na repescagem da Mostra. No Cinesesc.

  • 06 de NOVEMBRO
John Malkovich está na cidade. É dia de prestigiá-lo na salutar mistura de concerto e teatro que promete ser The Infernal Comedy. No Theatro Municipal.

  • 07 de NOVEMBRO
A estreia de A Pele Que Habito foi adiada, mas agora o novo filme de Almodovar está em cartaz. Não é possível esperar mais um só dia para vê-lo.

  • 08 de NOVEMBRO


Leve seus ouvidos para passear e tire a tarde para ouvir o novo disco de Marisa Monte, O Que Você Quer Saber de Verdade. Delicie-se especialmente com o esmero e a beleza pop-romântico-dramática de Depois, Amar Alguém, Aquela Velha Canção e Era Óbvio.

  • 09 de NOVEMBRO
Dê uma chance para o teatro no meio da semana com As Cegas. No Viga Espaço Cênico.

  • 10 de NOVEMBRO
Almoce no novo restaurante Figurati (aberto há menos de um mês) e prove os nhoques, ou o penne com abobrinha, camarão, aspargos e curry.

  • 11 de NOVEMBRO
Mergulhe no cinema brasileiro: entenda que caminhos percorreu Nando Olival desde Domésticas - O Filme, no novo Os 3; confira a atuação premiada de Maria Luisa Mendonça em Amanhã Nunca Mais, estreia em longa-metragem de Tadeu Jungle; ou arrisque-se no cult (e elogiadíssimo) O Céu Sobre os Ombros, de Sérgio Borges.

  • 12 de NOVEMBRO

No mesmo ano em que pudemos ver a montagem de Daniel Veronese, Espia a Una Mujer Que Se Mata, aproveite para perceber quantas faces há numa obra prima da dramaturgia. Vá ao Sesc Vila Mariana para hipnotizar-se com a iluminação onírica de Pedro Pederneiras, com o cenário belo e engenhosíssimo de Márcio Medina e para ver, afinal, de que forma a encenação estetizante e de grande requinte plástico de Yara de Novaes encampa os atores do tradicional Grupo Galpão, no clássico russo Tio Vânia (aos que vierem depois de nós).

  • 13 de NOVEMBRO
Arranje a companhia de uma criança e leve-a ao espetáculo infantil O Menino Que Vendia Palavras. No Teatro do Shopping Frei Caneca.

  • 14 de NOVEMBRO
Cate Blanchett, a grande, também fez Tio Vânia em 2011, na Austrália. Como não estivemos por lá, aproveitemos a segunda-feira de feriado para apreciá-la em Hanna, thriller de Joe Wright lançado diretamente em dvd no Brasil.

  • 15 de NOVEMBRO
É feriado. Vá à livraria e compre Conversas Com Scorcese, de Richard Schickel, que a Mostra Internacional de Cinema acaba de lançar em parceria com a Cosac & Naify.

  • 16 de NOVEMBRO

Misturar é preciso: então reveja Tio Vânia registrado no já clássico filme de Louis Malle, Tio Vânia Em Nova Yorque (Vanya On 42nd Street, no original, porque é mais provável que só se encontre pra download), e também Moscou, em que Eduardo Coutinho documenta o Grupo Galpão ensaiando As Três Irmãs, do mesmo Anton Tcheckhov.

  • 17 de NOVEMBRO
John Kander e Fred Ebb fizeram um trabalho assombroso, memorável e de delícias infindas ao compor, nos anos 60, as canções do musical Cabaret. De dedos cruzados, tome o rumo do Teatro Procópio Ferreira para conferir o quanto sobrevive da inteligência, do wit e da arrepiante sensualidade original nas versões em português de Miguel Falabella. E também para inevitavelmente comparar Claudia Raia a Judi Dench, Liza Minelli e Natasha Richardson, algumas das maiores que cederam corpo e voz a Sally Bowles antes dela.

  • 18 de NOVEMBRO

BRITNEY. SPEARS. EM. SÃO. PAULO.

  • 19 de NOVEMBRO
A distribuidora promete para essa semana o lançamento nos cinemas de O Garoto da Bicicleta, dos irmãos Dardenne. Para depois da ressaca.

  • 20 de NOVEMBRO
Se você ainda não viu a controversa peça Hipóteses Sobre o Amor e a Verdade, do controverso grupo Os Satyros, pode estar chegando sua última chance. No Teatro dos Satyros.

  • 21 de NOVEMBRO

Depois de gravar CD e DVD ao vivo em três apresentações esgotadas no Auditório Ibirapuera, em junho, o coletivo 5 A Seco faz um show de pré-lançamento no monumental Teatro Bradesco. E se você não os conhece, esperamos sinceramente que você já esteja com seu ingresso em mãos.

  • 22 de NOVEMBRO
O nome do show é Bethânia Canta Chico Buarque. Precisa dizer mais? (Ah, sim: é apresentação única.) No Via Funchal.

  • 23 de NOVEMBRO
Relaxe e tome um chopp no meio da semana. Antes, visite a Bienal de Arquitetura, nesta edição abrigada na Oca. (Para o chopp, recomendamos o Bar Balcão.)

  • 24 de NOVEMBRO
O festival bienal de teatro iberoamericano Mirada, promovido pelo Sesc, faz itinerância de algumas peças em seu ano de recesso. Do Chile, neste mês, chegam quatro de uma vez. A primeira é Loros Negros, cuja sinopse é tão instigante quanto confusa. A checar. No Sesc Belenzinho.

  • 25 de NOVEMBRO
Depois de anos afastada dos palcos, Mariana Ximenes está em cartaz, acompanhada por um time de peso, em Os Altruístas. E sendo uma sexta-feira, você sai do teatro no coração da movimentada e caótica região conhecida como Baixo Augusta - o que pode ser o céu ou o inferno, a depender de sua personalidade e disposição. No teatro Augusta.


  • 26 de NOVEMBRO

Trata-se do último final de semana (e talvez a última chance em sua vida de espectador) de ver Fernanda Montenegro no palco. O texto de Viver Sem Tempos Mortos é muito bom, mas é capaz que você nem preste atenção nele, tamanho o poder encantatório da simples e estrondosa presença da atriz em cena.

  • 27 de NOVEMBRO
Mais um espetáculo Mirada, este já valendo pelo título: Tratatando de Fazer uma Obra que Mude o Mundo. No Sesc Belenzinho.

  • 28 de NOVEMBRO
Marcos de Andrade, um ator fenomenal, deve valer sua ida ao Sesc Consolação, em plena segunda-feira, em horário ingrato, para assistir à décima edição do projeto Prêt-À-Porter.

  • 29 de NOVEMBRO

Você ainda tem energia? Inquietos, de Gus Van Sant, e Isto Não É Um Filme, de Jafar Panahi, se cumprirem o calendário previsto, serão as estreias cinematográficas da semana. Vá a ambos.

  • 30 de NOVEMBRO
Termine o mês vendo mais uma (a terceira) peça com legendas: A Amante Fascista, inspirada em obra do perturbador Thomas Bernhard. Mirada, de novo. No Sesc Belenzinho.



(Agora, já pode ir lá tirar o nome do amigo secreto.)


3.10.11

sorria, é outubro!




e para ninguém perder (quase) nada do que importa no mês tradicionalmente mais movimentado do ano, nossos repórteres organizaram esse guia dia-a-dia para você imprimir , colar no espelho do banheiro e seguir fervorosamente.


  • 03 DE OUTUBRO
Comece devagar, o mês será itenso. Reassista, em casa, Os Goonies, influenciado pelo ótimo e recente Super 8. Você vai se surpreender com o tanto que os filmes 'família' encaretaram nos últimos 25 anos.

  • 04 DE OUTUBRO
Caso você não tenha, como nós, um jantar mensal marcado com os seus primos, dê um presente a si mesmo e almoce no restaurante Epice, para conferir que o prêmio de Chef Revelação recebido por Alberto Landgraf é verdade do primeiro ao último segundo.

  • 05 DE OUTUBRO
Há muito tempo que o Momix deixou de ser uma companhia de dança inovadora e passou a ser entretenimento para as massas (sem deixar de ser, no entanto, visualmente deslumbrante). Mas como não há nada de desmerecedor nisso, por que não ir ao Teatro Alfa conferir Botanica?




  • 06 DE OUTUBRO
Se você sobreviveu à fila dos ingressos - ou teve um amigo generoso que fez isso por você - é chegada a hora de se mesmerizar com Os Náufragos da Louca Esperança, segunda visita do mítico Theatre Du Soleil a essas terras. Promete estar entre os pontos altos do ano - ou quiça de toda uma carreira como espectador. Sesc Belenzinho.


  • 07 DE OUTUBRO
Se você não vai ao Rio de Janeiro naufragar no Festival do Rio ou checar o último final de semana de Maria Luisa Mendonça fazendo Brecht sob direção de Aderbal Freire-Filho, em Na Selva das Cidades, então vá só ao cinema para não perder o belíssimo Além da Estrada - que infelizmente pode sair de cartaz a qualquer momento.

  • 08 DE OUTUBRO
Depois de quase dois anos pronta, a adaptação cinematográfica do romance Capitães de Areia, de Jorge Amado, finalmente chega às telas. Mas o que você definitivamente não pode perder nesse final de semana é mesmo o filme Trabalhar Cansa.

  • 09 DE OUTUBRO
É possível que nenhuma outra montagem brasileira te proporcione uma experiência intelectual e estética, nesse semestre, tal qual aquela a que Oxigênio convida o público. Desarme-se e frua, porque isso é teatro contemporâneo pulsante e recompensador. Sesc Consolação.


  • 10 DE OUTUBRO
Segunda-feira, nada mais propício do que recompor-se do fim de semana com o tresloucamento de Isabelle Huppert em Copacabana. Nos cinemas.

  • 11 DE OUTUBRO
Dia de conferir o que David Mamet pode fazer por nós, em uma elogiada montagem de sua peça O Bosque, de 1979. No CCBB.

  • 12 DE OUTUBRO
Dia das Crianças, matinê de O Menino e os Sortilégios, 'fantasia lírica' de Ravel, no Municipal. Se mantiver-se no padrão de qualidade das óperas que temos visto na casa, é programa certeiro.

  • 13 DE OUTUBRO
Quem ouvia a canção Made Up Love Song #43 lá pelos idos de 2006 certamente vai estar firme, forte e levemente emocionado na chopperia do Sesc Pompeia para testemunhar a tardia visita da banda Guillemots à cidade.

  • 14 DE OUTUBRO
Faça a segunda das três necessárias visitas que outubro requer aos confins do Teatro Alfa para ver a companhia Akram Khan dançar Vertical Road.



  • 15 DE OUTUBRO
Em uma premissa que pode dar água na boca tanto quanto causar imediata fuga, arrisque-se a voltar ao CCBB para assistir a A Ilusão Cômica, reimaginação da peça em versos escrita por Pierre Corneille em 1635.

  • 16 DE OUTUBRO
Entre uma enxurrada de estreias, todos os olhos estarão inevitavelmente voltados para o novo Almodóvar, A Pele que Habito. Mas dê uma chance a L'Apollonide - Os Amores da Casa de Tolerância - afinal, Bertrand Bonello já mostrou em ocasiões anteriores que merece nossa atenção e respeito.

  • 17 DE OUTUBRO
Se você não conhece o restaurante Sotero, não há motivos para adiar mais.


  • 18 DE OUTUBRO
Angústia, um espetáculo-concerto-filme-peça do pianista Vitor Araújo, parece ser algo tão fora dos padrões que merece uma chance (e todos os seus sentidos). Na Sala Crisantempo.

  • 19 DE OUTUBRO
A dois dias do início da Mostra, tire a tarde para penetrar (literalmente) o mundo sensorial e hipnotizante de Olafur Eliasson, com obras espalhadas por três endereços da cidade. Nos Sescs Belenzinho e Pinheiros e na Pinacoteca.


  • 20 DE OUTUBRO
Como você vai passar os próximos 14 dias em salas de cinema, veja Serpente Verde, Sabor Maçã, antes que não dê tempo. No Espaço Parlapatões.

  • 21 DE OUTUBRO
De hoje até o dia 04 de novembro, sua vida vão ser só filmes, porque é a hora da Mostra Internacional de Cinema de SP. Por mais que brilhe no guia de programação aquilo que importou nos grandes festivais europeus em 2011, atente para o fato de que as verdadeiras preciosidades talvez sejam a retrospectiva de Elia Kazan e as cópias restauradas de Taxi Driver, Laranja Mecânica e O Leopardo (com eles, é quase como se não fosse necessário ver nenhum outro filme por muitos meses).

  • 22 DE OUTUBRO
Não existe qualquer chance de você não estar na Mostra, mas caso isso aconteça, vale saber que terá estreado o premiado documentário Rock Brasília.

  • 23 DE OUTUBRO
Mostra. Será que o número de filmes que você viu já terá chegado aos dois dígitos?

  • 24 DE OUTUBRO
Mostra. Quantos cafés você já terá tomado entre uma sessão e outra?

  • 25 DE OUTUBRO
Mostra. Quantos amigos você já terá cruzado pelos corredores?

  • 26 DE OUTUBRO
Mostra. Com quantos já terá compartilhado sessões?

  • 27 DE OUTUBRO
Mostra. A quantos filmes realmente bons você já terá assistido?

  • 28 DE OUTUBRO
Se você já desistiu de bater cabeça em filmes-cabeça, estreiam Inquietos, de Gus Van Sant, O Palhaço, de Selton Mello, e Contágio, de Steven Soderbergh. Péssimo timing para os três, mas quem sabe não há aí um bom motivo para escapar de um filme exótico em projeção digital descuidada?

  • 29 DE OUTUBRO
Hoje, no entanto, a fuga é inevitável. A companhia Sasha Waltz & Guests dança Travelogue I -Twenty to Eight, coreografia que a destacou para o mundo, em 1993. Terceira das três idas ao Teatro Alfa.



  • 30 DE OUTUBRO
O mês vai chegando ao final, mas a Mostra não. Será que já surgiu um filme muito bom que nunca estreará, como foi Ano Bissexto em 2010? Ou um programa capaz de justificar a existência do cinema, como Mistérios de Lisboa? Torçamos para que sim.

  • 31 DE OUTUBRO
Talvez não seja uma questão dos filmes, mas você só não aguente mais ficar sentado. Então estique as pernas pela Bienal e entre na polêmica da arte contemporânea na exposição Em Nome dos Artistas. Uma vaca partida ao meio e conservada em formol só pode ser um ótimo desfecho para um mês desses.


11.1.10

Nova York - dia 10: um arremate Romântico

(um tempo considerável passou e agora esse relato tem tudo menos o calor do momento. então vai ser na base do resumão...)


Fela! é o novo musical da temporada outono/ inverno que qualquer resenhista de qualquer publicação vai te jurar que é imperdível (entre 'melhores do ano' e afins). tendendo a ter um fraco por críticas persuasivas, lá fui conferir a história de Fela Anikulapo-Kuti, com direção e coreografia de Bill T Jones e produção apadrinhada por Jay-Z e Will Smith.

antes de peça, é um recital. chamam-no de "o mais original musical em cartaz na Broadway" e há uma medida de verdade nisso no sentido em que ele faz de uma maneira que nenhum outro faz. a forma é a chave.

um enérgico e estrondoso ator, Kevin Mambo (revezando-se com Sahr Ngaujah), literalmente conta a história de Fela, compositor, músico, cantor e ativista revolucionário. pequenas cenas são encenadas, mas a coisa toda funciona mais como show.

o intuito é envolver o espectador na atmosfera do bar original que Fela possuia na Nigéria em seus anos de esplendor musical e político, onde todas as noites fazia grandes apresentações sonoras e inflamados discursos contra a ditadura governante (e o Imperialismo Britânico).

o teatro inunda-se em Afrobeat, nas canções de Fela, em improvisos intrumentais, em coreografias eletrizantes, cores, projeções, atores e dançarinos movidos a poderosas baterias movimentando-se pela platéia e por todos os outros lugares que eles conseguem preencher com corpos que parecem bombas artísticas.


em 12 espetáculos vistos na cidade, não há nem de longe aplausos tão calorosos e entusiasmados quanto aqui - e a platéia até é convidada a ficar de pé e dançar em dado momento, o que faz sem qualquer inibição. isso transmite a medida precisa de quanto fascínio a arte de uma cultura "exótica", quando bem representada, pode exercer, levando o público a lugares onde ele realmente não fora antes.

legítimo e honesto a seu biografado e aos princípios de fazer viva uma manifestação artística específica e especial, vigorosíssimo em sua realização, Fela! não é o tipo de musical que exatamente faz minha cabeça, embora assisti-lo (ou, antes, experimentá-lo) seja um grande prazer.

e pode-se dizer seguramente que, evitando folclorizações e escapes fáceis ao "estrangeiro", temos aqui, sim, algo de intensa originalidade.

*


Os Contos de Hoffmann, no Metropolitan, com direção do mesmo Bart Sher de South Pacific, veio vingar a letargia e o peso da Elektra vista aqui alguns dias atrás.

a partitura solar e fragmentada de Offenbach vaz vibrar sua leveza em uma encenação delicada, caprichosa, cheia de pequenos detalhes e prazeres. seja na inebriante área de Olympia, cantada com brio e sutil fantasia pela understudy Rachele Gilmore, à intensidade dramática quase fantasmagórica da cena de Antonia, no corpo de Anna Netrebko, a sensação é de uma sedutora e apaixonante viagem pelos sentidos.

(conduzida ela toda com o exato senso de inteligência, o interessante distanciamento e as qualidades dramáticas com que Kate Lindsey interpreta/ canta o duplo papel de Nicklausse/ Musa.)


cores, texturas, luzes, sombras, coreografias, movimentos, tudo gira com a mecânica simples e precisa de um carrossel - o que, de certa forma, dramaturgicamente o libretto sempre fez mesmo.

espetáculo de sonho e encatamento, uma pequena refeição para a alma, um arremate refinado para a temporada de espetáculos nova-yorquinos.

29.8.09

contato imediato

hoje à noite, ganhei essa música de volta, três anos depois...

4.5.09

ZD e John escreveram

e em breve você vai ouvir:


queria descobrir
em 24 horas
tudo o que você adora
tudo o que te faz sorrir

e num fim de semana
tudo o que você mais ama
e no prazo de um mês
tudo o que você já fez
é tanta coisa que eu não sei

não sei se eu saberia
chegar até o final do dia sem você

e até saber de cor
no fim desse semestre
o que mais te apetece
o que te cai melhor

enfim eu saberia
trezentas e sessenta e cinco
noites bastariam
pra me expilicar porquê
por que isso foi acontecer


não sei se eu saberia
chegar até o final do dia sem você

por que em tão pouco tempo
faz tanto tempo que eu te queria




28.4.09

kiss me

acesso desenfreado de nostalgia, paixões juvenis, Dawson's Creek, uma amiga que eu não tenho mais, MTV, colégio, adolescência, melancolia e movimento, simplicidades complicadas e, no final das contas, a desimportância determinante de um beijo.

19.4.09

coração secreto (ou postar letra de música é um negócio super brega)




Secret Heart, what are you made of? What are you so afraid of? Could it be three simple words or the fear of being overheard? What's wrong?

Let em' in on your secret heart.

Secret Heart, why so mysterious? Why so sacred, why so serious? Maybe you're just acting tough. Maybe you're just not man enough. What's wrong?

Let em' in on your secret heart.

This very secret that you're trying to conceal is the very same one that You're dying to reveal. Go tell him how you feel.

Secret Heart, come out and share it. This loneliness, few can bear it. Could it have something to do with admitting that you just can't go through it alone?

Let em' in on your secret heart.

18.4.09

Atravesso a noite
A manhã se esfrega nos meus olhos
Danço em falso
Como se fosse o último a saber
...



por T.P.

24.3.09

talvez dessa vez



semana passada teve show de Ute Lemper, um vulcão em forma de performer que arrebatou a Sala São Paulo e conduziu a platéia na palma da mão durante todo o seu recital.

a Orquestra Sinfônica Municipal emoldurou uma voz poderosa de uma cantora-atriz, ou atriz-cantora, que parece ter nascido para cantar (e interpretar) o que canta: Kurt Weill (com e sem Brecht), Gershwin, compositores diversos do repertório de Edith Piaf e a dupla Kander e Webb.

e foi justamente com canção dos dois últimos, "Cabaret" (do musical homônimo), que ela começou seu show feito furacão e nos fez lembrar o porquê de amarmos tanto os musicais, as músicas, as cantoras, o show.

*

daí, por ocasião do aniversário de um querido amigo, relembramos ao piano, no mesmo dia do estrondo da Srta. Lemper, Maybe This Time, canção que também faz parte do score de Cabaret.

*

daí Natasha Richardson morreu.

e eu senti uma falta tão legítima de Natasha Richardson no instante mesmo em que fiquei chocado com a notícia de sua morte, que me vi perguntando: por que mesmo eu gosto tanto de Natasha Richardson?

pesquisei sua filmografia e não havia ali nada que desse muito motivo para tanta admiração. então a resposta só podia estar no teatro.

eu lembro quando Richardson estreou na Broadway em Closer, em papel que depois foi de Renata Sorrah e depois de Julia Roberts. e lembro quando ela fez Blanche Dubois em Um Bonde Chamado Desejo. mas eram lembranças do simples conhecimento do fato e não memórias vividas.

mas havia o disco da remontagem de 1998 de Cabaret, na qual ela e Alan Cumming eram os donos do palco. a esse espetáculo eu de fato assisti, ainda que sem estes dois atores. mas a gravação em cd tocou por muitos e muitos anos na minha vitrola e na minha cabeça, e foi ela que me levou retroativamente ao filme de 1972, com Liza Minelli.

conclusão: mesmo não tendo-a visto como tal, ter ouvido Natasha Richardon por tanto tempo como Sally Bowles fez com que eu a tivesse conhecido assim, de alguma forma. por caminhos tortos mas tão corretos, ela era a minha Sally Bowles, a primeira, antes mesmo de Liza, a original.

e perder uma Sally Bowles é perder muito.

*

um dia depois, aquele mesmo amigo do piano me telefona e não responde ao meu "alô". ouço alguns barulhos e não levo mais do que 2 segundos para entender: do outro lado da linha, ao vivo, aqui de São Paulo, Liza Minelli cantava Maybe This Time.

dirigindo de volta pra casa, eu estava subitamente emocionado. e achando que o mundo tem suas graças.

*

em vídeos ruins, Natasha como Sally, cantando Maybe This Time e Cabaret, unindo Ute Lemper, Liza Minelli, passado saudosista, presente luminoso e trágico, alguma idéia boa de futuro.

(especialmente em Cabaret, é impressionante a força da atriz-cantora. sua voz jamais seria a de Liza ou Ute, mas a transformação que seu rosto opera ao longo da canção é simplesmente de tirar o fôlego).



9.2.09

toda bêbada canta

(a partir dos 35")