25.5.05

da arte de ser imperdível

"Bendito Fruto" não é uma comédia romântica, nem uma comédia pastelão. Não é comédia apelativa, não é besteirol, não é sem graça. Não é comédia que se pretende “esperta”. Tampouco imita “sitcoms” americanas, ou filmes de comédia americanos ou de qualquer outro país.

"Bendito Fruto" é uma comédia de costumes brasileira. É um filme ao qual não se faz nada semelhante há um bom tempo no cinema nacional (hum, deixe-me ver... uns 10 anos? Ou mais?). É um roteiro bom de doer, filmado com uma ginga e uma graça contagiantes, com atores sensacionais.

"Bendito Fruto" constrói uma trama inteligente e divertidíssima, descascando de leve a classe média e a sociedade brasileira, enquanto conta uma história de ajustes.

"Bendito Fruto" é filme cheio de um vigor todo especial, que deriva diretamente dos personagens criados com tão bela carpintaria dramática e defendidos por atores simplesmente perfeitos.

"Bendito Fruto" trabalha no registro de um humor que é de uma simplicidade tão tocante quanto explosivamente engraçada.

"Bendito Fruto" é de uma verdade de intenções e honestidade narrativa raras. Ele aborda preconceitos e pós-conceitos raciais, sexuais e sociais no tom do mais genuíno comedimento. As “polêmicas” têm o cuidado de jamais chamar a atenção para si e de aparecerem em integração admirável com a trama.

"Bendito Fruto" não estereotipa. Antes, desconstrói os estereótipos, lidando com eles na base do melhor dos naturalismos.

"Bendito Fruto" tem Zezeh Barbosa, Vera Holtz e Otávio Augusto em estado de graça.

"Bendito Fruto" é o mais delicioso dos triunfos, porque não precisa de polêmica, de sujeira, de favela, de nordeste, de regionalismo, de sangue, de exibicionismo visual ou dramático, de reinvenções ou exageros para ser um grande filme. Um enorme filme.

"Bendito Fruto" é pequeno e é gigante. É aquela maravilha talhada com todo o capricho e amor, que se contenta em existir sem precisar gritar ou fazer estardalhaço. O que só a torna ainda melhor.

"Bendito Fruto" é filme que dá vontade de aplaudir de pé (citando a colega P.)

"Bendito Fruto" é absolutamente imperdível.

Resumindo (e citando novamente): vá ver logo, antes que eu te leve.

2 comentários:

Anônimo disse...

Ai que vontade de assistir! =)

preguiç... disse...

cafona