28.12.07

enquanto ainda dá tempo

Entra ano, sai ano, não adianta – a insanidade toma conta completa dos distribuidores de filmes nos meses de novembro e dezembro, com 6, 8, às vezes 10 lançamentos por semana (!!), muitos deles de certa importância.

Nesta penúltima semana de 2007, por exemplo, chegaram aos cinemas de São Paulo nada menos do que 11 filmes simultaneamente, sendo dois infantis brasileiros com lançamentos grandes e 7 produções “de arte” – ou seja, disputa-se em tempos ruins um público que já não é grande. O resultado, ainda mais em época sabidamente de recesso coletivo, é não só pouquíssima gente nas salas mas também a perda de um público grosso modo cativo.

Antes que o ano termine e venha uma lista de “melhores de 2007” (já que esse blog não é imprensa, não assiste a cabines e não pode, de maneira alguma, ser justo consigo mesmo fazendo uma lista antes que Em Paris, por exemplo, com estréia programada para amanhã, 28/12, seja visto), vejamos o que há pra se notar por enquanto:



O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford poderia e deveria ter 1 hora a menos. E isso não é estultice daqueles que perderam a capacidade de concentração. Ademais, é mais do que evidente que foi dirigido por alguém (Andrew Dominik) que viu e gostou muito dos filmes de Terence Malick (Dias de Paraíso, Além da Linha Vermelha), porque há aqui, como lá, uma tentativa de fotografia (no sentido cinematográfico mesmo do termo) espiritual do caráter, um tempo de observação que aspira a um certo sublime. Pode valer um Oscar de ator coadjuvante a Casey Aflleck, que será algo honesto, e, a despeito de sua excessividade contemplar um vazio narrativo, sua meia hora final eleva-se portentosa e deixa fortes marcas.


Sombras de Goya é chatiiiiinho... Alguns críticos querem ver um libelo e um filme poderoso onde só há mesmo um narrativa desencontrada, um Javier Bardem de maneirismos e caretas risíveis e um determinismo moral de arrepiar a espinha. Longe, muito longe do sentido de espetáculo humano que Milos Forman já conseguiu em Amadeus.


O Sobrevivente é um Werner Herzog discursivo, querendo afirmar que a liberdade pode ser alcançável até pelo sacrifício e que a esperança é mesmo a última que deve morrer. E para ser veemente, não economiza nas apoteoses dramáticas regadas a muita trilha sonora triunfante e filma ao modo classicamente convencional uma história de provações e persistência que, somos capazes de jurar, já vimos umas 20 vezes.


Bee Movie – a História de Uma Abelha é um filme de um Jerry Seinfeld rendido. Porque existe ali uma faísca do humor ácido e espantosamente observacional que marcou sua brilhante série de televisão, mas não existe chance de ele sobressair-se em um filme que se curva servente à “jornada do herói”. E não adianta: parece que nunca haverá uma animação que saiba unir o convencionalismo da estrutura narrativa necessária para agradar à massa com o tempero da excelência intelectual e estética da forma como o fez Procurando Nemo. (Alguém aí sussurou Ellen DeGeneres?)


Crimes de Autor é legal.


Garçonete sobrevive de um fiapo de integridade emocional que Keri Russell tenta impor à protagonista, lutando contra toda sorte de babaquices e lugares-comuns rasteiros com que o roteiro a massacra impiedosamente. Só mesmo a morte da diretora em circunstâncias misteriosas (um suicídio que depois virou assassinato) explica a simpatia crítica que o filme recebeu em sua terra natal. (Ademais, quem ainda precisa justificar a burrice dos críticos norte-americanos?)


No Vale Das Sombras é um filme dirigido por Paul Haggis. E isso o define melhor do que qualquer outra coisa. (Mas, para quem ainda precisa entender melhor, trata-se de um roteiro que se estrutura da forma mais óbvia possível e que, transposto para a tela, passa duas horas reiterando e ilustrando suas obviedades, sem espaço algum para sutilezas ou algo que se possa remotamente chamar de perspicácia narrativa – ou, pior, é um filme que se crê de perspicácia narrativa exemplar e por isso mesmo é odiável. Nem mesmo Charlize Theron, no que é talvez a atuação mais honesta de sua carreira, nem Tommy Lee Jones, convertendo a habitual canastrice em uma canastrice contida, salvam.)


Across The Universe é o naufrágio de sua diretora, Julie Taymor. Quando as coisas ali podem talvez tornarem-se cafonamente adoráveis ou exageradamente encantadoras, tudo passa do limite do limite. Nem entremos nos méritos de uma história que é um anti-roteiro, ou antes um arremedo de trama, uma desculpa minimamente palpável para o enfileiramento de videoclipes. Cheira a filme que daqui a 10, 15 anos, tornar-se-á cult. E quem sabe venhamos a apreciá-lo.


Novo Mundo é simplesmente um dos melhores filmes desse ano ou dessa década, ou jamais feitos sobre o tema que aborda. É o máximo que se pode querer em elaboração visual e dramática, de um cineasta em domínio de sua arte, levando público junto dele em uma mesmerizante viagem. (Mas ao filme voltaremos mais tarde.)


Os Donos da Noite é envolvente, competente, bem urgido. Mas mais e melhores filmes já se fizeram com a mesma noção de fidelidade, honra e glória familiar no mundo do crime.


Conduta de Risco é um daqueles thrillers que só a máquina hollywoodiana sabe fazer desse jeito. Pode valer um Oscar a George Clooney que ele não merecerá (está bem, é certo, mas sabemos que há melhores), mas vale duas horas de suspense psicológico dos mais eficazes – e aquele eterno regozijo da deliciosamente maniqueísta luta entre gigantes do mal e nanicos do bem. Tom Wilkinson enlouquece com classe e Tilda Swinton é dona de uma eletrizante cena final que, essa sim, lhe vale prêmios.


Quem foi mesmo que achou A Vida dos Outros uma obra-prima?! É quase um anti-Conduta de Risco, um thriller como os europeus teimam em fazer, em que os mecanismos da narrativa são escravos de uma mensagem política ou humanista que deve vir primeiro e que os sacrificam, portanto. Se Conduta fecha forma e conteúdo numa só unidade, A Vida balança entre ambos, perdendo um pouco da consistência de sua construção. É como se fosse estabelecido um ponto de chegada a priori, para o qual toma-se um caminho nem sempre muito bem pavimentado – e o problema maior é essa lógica deixar-se notar. Mas há um grande ator e não se pode negar que, diferentemente do que ocorre nos filmes de Paul Haggis, a mensagem ecoa com certa força.


Viagem a Darjeeling é emocionante e envolvente e irresistível. Isso é tudo que o blogueiro pode dizer sem revê-lo.


Lady Chatterley possui a inestimável qualidade de traduzir um romance literalmente em imagens. Pouco é dito, muito é mostrado e a decupagem da câmera, embora jamais seja estritamente subjetiva, de alguma forma transmite o ponto de vista e a subjetividade da protagonista de forma admirável. São 2 horas e 40 minutos que não se fazem notar se o espectador entrar a contento no universo cuidadosamente coeso que é apresentado. A maneira como a diretora estabelece bases espaciais e psicológicas, através de cenas simploriamente cotidianas, para depois expor a erupção violenta de uma relação calcada em sentimentos sexuais intensamente primitivos (os amantes não tiram a roupa, não se beijam) é verdadeiramente admirável. Com um final sensacional, é filme que cresce na cabeça.


E por fim, um filme muito especial. Quando o viu na Mostra de Cinema, no dia 22/10/2207, esse blog disse sobre Um Amor Jovem:

De "As Paredes do Chelsea Hotel" para cá, é notável a progressão do Ethan Hawke cineasta. Adaptando um romance de sua própria autoria (que contém tintas que parecem bastante biográficas) e talvez por isso mantendo acima de tudo a pessoalidade, ele consegue fazer um filme sobre jovens que não é um “filme sobre jovens”, mas sim um sentimental, belo, divertido e sincero retrato de amores encontrados e perdidos, amadurecimento, vida familiar e aquela adolescência renitente que insiste em perdurar aos 20, aos 30, aos 40... Em tempos onde as liberdades emocionais multiplicam-se, o processo de fazer e desfazer caminhos é o objetivo da jornada em si, mais do que atingir um ponto de chegada ilusório. Essa sensação, somada à bagagem que arrastamos conosco nesse percurso, é a matéria sobre a qual se constrói um filme cheio de frescor, surpreendentemente jovem de espírito (e com participações impagáveis de Sonia Braga – sim, Sonia Braga! – e Laura Linney, além da competência dos protagonistas Mark Webber e Catalina Sandino Moreno).

Na Ilustrada do último dia 21, Cassio Starling Carlos terminou de dar forma ao que ainda pensávamos sobre o filme. Leia a seguir:

Elenco livra drama da banalidade
Com tom contido e foco em pequenas emoções, filme de Ethan Hawke não cede ao sentimentalismo

CÁSSIO STARLING CARLOS

CRÍTICO DA FOLHA 



Cinéfilos e críticos gostam de cinema de autor, aqueles em que o nome do diretor indica um universo temático, uma moral e um modo de filmar pessoais e inconfundíveis. Público e viciados em premiações como o Oscar costumam preferir filmes de ator, aqueles em que o nome do intérprete e sua atuação guiam a escolha na hora de comprar o ingresso ou pagar a locadora. Entre um campo e outro, costuma emergir um híbrido que poderia ser definido como "cinema de ator". 


Desta categoria, os nomes que mais brilharam ao passar para trás das câmeras foram John Cassavetes e Paul Newman. Outros, como Jack Nicholson, Robert De Niro, Sean Penn e Ed Harris, arriscaram-se a praticá-lo, com mais ou menos brilho. Ethan Hawke vem ensaiando seus passos. 
Neste "Um Amor Jovem", seu segundo longa, não tropeçou nem caiu. 


"Cinema de ator" não se resume a filmes dirigidos por atores. Uma das características do "gênero" é que um ator, ao dirigir outros atores, investe no que se supõe ser seu maior talento: a interpretação. Mas não se trata de estimular aquelas performances ganhadoras de Oscar, e, sim, de levar o ator ao ponto em que se apaga o trabalho de interpretação, em que a simbiose com o personagem enche esta tanto mais de vida quanto mais se apaga a "persona" do ator que o encarna. 


Em "Um Amor Jovem", Hawke obtém essa mágica, e é ela que injeta diferença num drama romântico que parte de premissas banais: jovem encontra garota; ele a encara como a alma gêmea; eles viajam juntos para uma semana idílica em que só o amor existe; ela subitamente o abandona; ele passa o resto do tempo comendo o pão que o diabo amassou. 

Hawke investe no par central e mantém os personagens acessórios à margem (incluindo ele próprio e uma aparição estranha, mas saborosa, de Sonia Braga). O embate, portanto, fica a cargo do delicioso par composto por Mark Webber e Catalina Sandino Moreno. 
De partida, os dois atores são filmados do ponto de vista dos corpos. A câmera os visa a meia distância, captura-os na dança da sedução, perambulando na saída de um bar, brincando de se apaixonar, na fissura do sexo dos primeiros encontros. 


Do mesmo modo contido, a narrativa não impõe um ponto de vista de um ao outro. Cada um evoca seu passado em forma de auto-apresentação, e o relato os segue, sugere se perder em um atalho e depois retoma o que interessa. 
Quando se dá a ruptura, o filme nos deixa isolados com a personagem do jovem abandonado. É através dele que o diretor representa a perda, e esta se faz mais sensível no reencontro pendular com os pais, figuras ausentes que redefinem o espaço da solidão no qual William enxerga seu esforço de tornar crônica a doença que ele chama de amor.


Desse modo, nem tão perto nem tão longe, Ethan Hawke consegue escapar dos riscos do sentimentalismo e manter vibrantes as pequenas emoções. 
E é isso que torna "Um Amor Jovem" um belo filme.






Até já. E feliz Ano Novo, para quem se importa!

17.12.07

13.12.07

e não é que deu Reparação?!




Hoje, a associação da imprensa estrangeira de Hollywood anunciou seus indicados ao prêmio Globo de Ouro, a ser entregue em 13 de janeiro próximo. E não é que Desejo e Reparação, filme dirigido por Joe Wright, do pálido Orgulho e Preconceito, recebeu o maior número de citações (7, ao todo)?!

(Reparação, de Ian McEwan, é um livro sensacional, destes que atestam uma maestria intelectual e narrativa raríssimas. Como acontece com todo grande livro, a idéia de filmá-lo soa descabida e absurda, a priori. Por isso, confesso, a cara feia para essa versão cinematográfica - já que, desculpem, mas não existe como apagar a obra literária da cabeça para assistir ao filme virgem. Sim, é um pré-conceito. Mas, sim, há alguns críticos falando bem do filme por aí. Aqui bem de longe, e sendo irresponsavelmente opinativo, ele me soa como espetaculoso e calculado para arrebatar.)

Ademais, a honraria máxima da indicação a melhor filme dramático ficou com 7 (!) produções. Os novos filmes de David Cronemberg (Eastern Promisses), Ridley Scott (American Gangster), Ethan Coen & Joel Coen (No Country For Old Man) e Paul Thomas Anderson (There Will Be Blood) estão no páreo, o que consagra um bloco de diretores (com exceção de Scott) sempre lidando (brilhantemente) entre as margens e o centro do mainstream. Desses, no entanto, nem Thomas Anderson, nem Cronemberd emplacaram um melhor diretor.

Completam a categoria principal Reparação, de Joe Wright, The Great Debaters, de Denzel Washington, e Conduta de Risco, de Tony Gilroy.

(Tim Burton, nome dos mais destacáveis, comparece com seu Sweeney Todd, mas na categoria de melhor filme comédia ou musical).

Denzel Washington, aliás, indicado também como melhor ator por American Gangster. Na sessão dobradinha, há ainda Philip Seymour Hoffman, indicado a melhor ator de comédia ou musical por The Savages e também a melhor ator coadjuvante por Charlie's Wilson War, e a sempre-esplêndida-e-queridinha-absoluta-desse-blog Cate Blanchett, como atriz principal em Elizabeth: The Golden Age e coadjuvante em I'm Not There.

No quesito abrilhantar a noite, as mesas da cerimônia estarão ocupadas por indicados como Julia Roberts, Tom Hanks, Johnny Depp, George Clooney, Daniel Day Lewis, Jodie Foster e Angelina Jolie, entre outros.

Já do lado dos independentes (ou nem tanto) que emplacaram, o filme Juno, de Jason Reitman, abre alas para, em diferentes produções, os nomes de John C Reilly, Ryan Gossling, Ellen Page e, vejam só, a francesa Marion Cotillard, que com sua personificação de Edith Piaf, juram alguns (alô, alô, João Cândido!), tem cadeira garantida no Oscar.


A lista completa segue abaixo, somente das categorias de CINEMA - porque faz tempo que esse blog não segue televisão.

Mais comentários conforme os filmes entrem em cartaz e sejam vistos.



Melhor Filme - Drama
"O Gângster"
"Desejo e Reparação"
"Senhores do Crime"
"The Great Debaters"
"Conduta de Risco"
"Onde os Fracos não têm Vez"
"Sangue Negro"

Melhor Filme - Comédia ou Musical
"Across The Universe"
"Jogos do Poder"
"Hairspray"
"Juno"
"Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet"

Melhor atriz - Drama
Cate Blanchett - "Elizabeth: A Era de Ouro"
Julie Christie - "Longe Dela"
Jodie Foster - "Valente"
Angelina Jolie - "O Preço da Coragem"
Keira Knightley - "Desejo e Reparação"

Melhor ator - Drama
George Clooney - "Conduta de Risco"
Daniel Day-Lewis - "Sangue Negro"
James McAvoy - "Desejo e Reparação"
Viggo Mortensen - "Senhores do Crime"
Denzel Washington - "O Gângster"

Melhor atriz - Comédia ou Musical
Amy Adams - "Encantada"
Nikki Blonsky - "Hairspray"
Helena Bonham Carter - "Sweeney Todd"
Marion Cotillard - "Piaf - Um Hino ao Amor"
Ellen Page - "Juno"

Melhor ator - Comédia ou Musical
Johnny Depp - "Sweeney Todd"
Ryan Gosling - "Lars and the Real Girl"
Tom Hanks - "Jogos do Poder"
Philip Seymour Hoffman - "The Savages"
John C. Reilly - "Walk Hard: The Dewey Cox Story"

Melhor Ator Coadjuvante
Casey Affleck - "O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford"
Javier Bardem - "Onde os Fracos não têm Vez"
Philip Seymour Hoffman - "Jogos do Poder"
John Travolta - "Hairspray"
Tom Wilkinson - "Conduta de Risco"

Melhor Atriz Coadjuvante
Cate Blanchett - "I'm Not There"
Julia Roberts - "Jogos do Poder"
Saoirse Ronan - "Desejo e Reparação"
Amy Ryan - "Medo da Verdade"
Tilda Swinton - "Conduta de Risco"

Melhor Diretor
Tim Burton - "Sweeney Todd"
Ethan Coen, Joel Coen - "Onde os Fracos não têm Vez"
Julian Schnabel - "O Escafandro e a Borboleta"
Ridley Scott - "O Gângster"
Joe Wright - "Desejo e Reparação"

Melhor Roteiro
"Desejo e Reparação" - Christopher Hampton
"Jogos do Poder" - Aaron Sorkin
"O Escafandro e a Borboleta" - Ronald Harwood
"Juno" - Diablo Cody
"Onde os Fracos não têm Vez" - Joel Coen, Ethan Coen

Melhor Filme em Língua Estrangeira
"4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias" (Romênia)
"O Escafandro e a Borboleta" (França, EUA)
"O Caçador de Pipas" (EUA)
"Lust, Caution" (Taiwan)
"Persepolis" (França)

Melhor Filme de Animação
"Bee Movie - A História de uma Abelha"
"Ratatouille"
"Os Simpsons: O Filme"

Melhor canção
"Encantada" - "That's How You Know"
"Grace Is Gone" - "Grace Is Gone"
"Into the Wild" - "Guaranteed"
"O Amor nos Tempos do Cólera" - "Despedida"
"Walk Hard: The Dewey Cox Story" - "Walk Hard"

Melhor Trilha Sonora
"Desejo e Reparação" - Dario Marianelli
"Senhores do Crime" - Howard Shore
"Grace Is Gone" - Clint Eastwood
"Into the Wild" - Michael Brook
"O Caçador de Pipas" - Alberto Iglesias

10.12.07

Haverá sangue, por certo.





e não é que ele fez de novo?? nas mais recentes listas de premiados por críticos norte-americanos, enquanto algumas reincidências que já soam duvidosas insistem em reincidir, There Will Be Blood, de Paul Thomas Anderson, desponta (junto, é claro, com os novos filmes dos Coen e de Sidney Lumet). será esse um ano de cinema de verdade na temporada de prêmios?!

vejamos:

CÍRCULO DE CRÍTICOS DE NOVA YORK

MELHOR FILME
No Country for Old Men

MELHOR DIRETOR
Joel and Ethan Coen (No Country for Old Men)

MELHOR ATOR
Daniel Day-Lewis (There Will Be Blood)

MELHOR ATRIZ
Julie Christie (Away From Her)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Javier Bardem (No Country for Old Men)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Amy Ryan (Gone Baby Gone)

MELHOR ROTEIRO
Joel and Ethan Coen (No Country for Old Men)

MELHOR FOTOGRAFIA
Robert Elswit (There Will Be Blood)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
No End in Sight

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
The Lives of Others

MELHOR ANIMAÇÃO
Persepolis

MELHOR PRIMEIRO FILM3
Sarah Polley (Away from Her)

LIFETIME ACHIEVEMENT AWARD
Sidney Lumet




CÍRCULO DE CRÍTICOS DE LOS ANGELES

MELHOR FILME
There Will Be Blood
Runner-Up: The Diving Bell and the Butterfly

MELHOR DIRETOR
Paul Thomas Anderson (There Will Be Blood)
Runner-Up: Julian Schnabel (The Diving Bell and the Butterfly)

MELHOR ATOR
Daniel Day-Lewis (There Will Be Blood)
Runner-Up: Frank Langella (Starting Out in the Evening)

MELHOR ATRIZ
Marion Cotillard (La Vie En Rose)
Runner-Up: Anamaria Marinca (4 Months, 3 Weeks, and 2 Days)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Vlad Ivanov (4 Months, 3 Weeks, and 2 Days)
Runner-Up: Hal Holbrook (Into the Wild)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Amy Ryan (Gone Baby Gone and Before the Devil Knows You're Dead)
Runner-Up: Cate Blanchett (I'm Not There)

MELHOR ROTEIRO
Tamara Jenkins (The Savages)
Runner-up: Paul Thomas Anderson (There Will Be Blood)

MELHOR FOTOGRAFIA
Janusz Kaminski (The Diving Bell and the Butterfly)
Runner-Up: Robert Elswit (There Will Be Blood)

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Janusz Kaminski (The Diving Bell and the Butterfly)
Runner-Up: Dante Ferretti (Sweeny Todd: The Demon Barber of Fleet Street)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
No End in Sight
Runner-Up: Sicko

MELHOR ANIMAÇÃO
Ratatouille and Persepolis (empate)

MELHOR MÚSICA
Glen Hansard and Marketa Irglova (Once)
Runner-Up: Jonny Greenwood (There Will Be Blood)

PRÊMIO NOVA GERAÇÃO
Sarah Polley (Away from Her)




quem quiser a cobertura completa -> AQUI.

Calabar! (ou parte de)

6.12.07

começou!

Quem aí não ADORA a temporada de prêmio, levante a mão!

Ontem, a estadunidense National Board of Review anunciou seus escolhidos para o exercício de 2007. Por enquanto, (quase) sem comentários, já que quase tudo é inédito para nós (exceto por alguns filmes exibidos em mostras e festivais).

Mas olhos bem abertos, de qualquer maneira.

(Os filmes seguem com título original porque, né?, quem tem paciência de traduzir?!)


Melhor Filme: NO COUNTRY FOR OLD MEN (viva!)

Melhor Diretor: TIM BURTON, Sweeney Todd (viva!)

Melhor Ator: GEORGE CLOONEY, Michael Clayton

Melhor Atriz: JULIE CHRISTIE, Away From Her (hummmm... será?)

Melhor Ator Coadjuvante: CASEY AFFLECK, The Assassination of Jesse James by the Coward Robert Ford (ó!)

Melhor Atriz Coadjuvante: AMY RYAN, Gone Baby Gone

Melhor Filme Estrangeiro: THE DIVING BELL AND THE BUTTERFLY

Melhor Documentário: BODY OF WAR

Melhor Animação: RATATOUILLE

Melhor Elenco Conjunto: NO COUNTRY FOR OLD MEN

Ator Revelação : EMILE HIRSCH, Into The Wild

Atriz Revelação: ELLEN PAGE, Juno

Melhor Estréia na Direção: BEN AFFLECK, Gone Baby Gone (será????????)

Melhor Roteiro Original (empate): DIABLO CODY, Juno, e NANCY OLIVER, Lars and the Real Girl

Best Roteiro Adaptado: JOEL COEN and ETHAN COEN, No Country For Old Men



Dez Melhores Filmes:
(Em ordem alfabética)
THE ASSASSINATION OF JESSE JAMES BY THE COWARD ROBERT FORD
ATONEMENT
THE BOURNE ULTIMATUM
THE BUCKET LIST
INTO THE WILD
JUNO
THE KITE RUNNER
LARS AND THE REAL GIRL
MICHAEL CLAYTON
SWEENEY TODD

Cinco Melhores Filmes Estrangeiros:
(em ordem alfabética)
4 MONTHS, 3 WEEKS, 2 DAYS
THE BAND’S VISIT
THE COUNTERFEITERS
LA VIE EN ROSE
LUST, CAUTION


Cinco Melhores Documentários
(em ordem alfabética)
DARFUR NOW
IN THE SHADOW OF THE MOON
NANKING
TAXI TO THE DARKSIDE
TOOTS

Melhores Filmes Independentes (mas, vem cá, que distinção é essa????)
(em ordem alfabética)
AWAY FROM HER
GREAT WORLD OF SOUND
HONEYDRIPPER
IN THE VALLEY OF ELAH
A MIGHT HEART
THE NAMESAKE
ONCE
THE SAVAGES
STARTING OUT IN THE EVENING
WAITRESS




e pra quem quer ficar a par de todos os passos e é do inglês:


AwardsDaily

dia branco

alguém aí prestou atenção nessa versão?


24.11.07

a gente inventa

De todos os amores, o mais forte é sempre o último...


mesmo que seja inventado.


22.11.07

3

UM

Será que tem problema não ter achado Jogo de Cena o melhor filme da história do cinema (nem sequer documental)?


DOIS

TV Pirata é uma coisa assim sensacional. Comprei o DVD. Hoje. Lembrei pra valer e bateu forte. Eles já fizeram tudo, pronto, acabou. Não há nada na televisão hoje tão moderno quanto eles eram (são). E, gente, aqueles atores são até hoje o que há de melhor em termos de comédia. Não tem pra ninguém. Mesmo. (e a gente aqui pensando que a internet libertou o humor... ha-ha-ha!)


TRÊS

Dormir, pra quê, afinal, né?

21.11.07

muito mais elegante

feriado em SP

pra recuperar semanas, dois dias de 7 filmes:


Mutum
* * *1/2

O Passado
* * *1/2

A Casa de Alice
* * *1/2

Antes Só do Que Mal Casado
* * *

Mandando Bala
*

Planeta Terror
* *

Noel - Poeta da Vila
* * *
e às pessoas que eu detesto, diga sempre que eu não presto, que o meu lar é um botequim. e que eu arruinei a sua vida, que eu não mereço a comida que você pagou pra mim.



20.11.07

epístolas eletrônicas

queria ser como você, inventivo, criativo, agitado e jovem. e ter cabelos enrolados, que estão na moda, vide a dona florinda, a elza soares e a maria alice (ps - ela cortou o cabelo, ficou uma graça).

H.C.

14.11.07

hoje teve...

... show do LCD Soundsystem.


então (por Franz Ferdinand, vídeo ruim para música excelente):


13.11.07

aniversário

- Mas você está no cursinho ou na faculdade, já?

(cara de ESPANTO.)

- Não, eu já me formei.

- Mas quantos anos você tem?

- 25. (sentimento interno de abismo)

- Nossa, mas tem cara de moleque. Achei que era 19, 20 no máximo.


Deus é pai.



mudando de assunto...





Annika, uma GÊNIA.

(You call me up in the mornings
We’ll stay on the phone until dawning
You tell me secrets I actually keep
You call me up around noon and
Bring me all the good gossip
You hold my head when I throw up
I hold your hand when you weep

And we talk about friends
And we talk about records
Talk about life
And we’ll talk about death
And we dance in the living room
Dance on the sidewalks, dance in the movies
Dance at the festivals, dance, dance
No men ever really dance like this

Damn! I wish I was a lesbian
Damn! I wish I was a lesbian
Damn! I wish I was, and that you were, too
So I could fall in love with you

You call me up in the evenings
And tell me what they did this time
No matter what, I’m by your side
When it’s raining, we’ll go to the video store
We even like the same movies
No damn jedis or hobbits, this time!

And you laugh at my jokes
And I laugh at your jokes
And I even like the birthday presents you get me
And we dance in the living room
Dance on the sidewalks
Dance in the movies
Dance at the festivals
Let’s dance, dance
No men ever really dance like this

Why don’t I fall?
Why don’t I just fall in love with you?
)

12.11.07

Fluorescent Adolescent - Arctic Monkeys

This Boy - Franz Ferdinand

Rocks - Caetano Veloso

Wouldn't It Be Nice - The Beach Boys

Se Você Pensa - Roberto Carlos

Maior Abandonado - Barão Vermelho

Ain't No Mountain High Enough - Marvin Gaye & Tammi Terrell

You Are The Light - Jens Lekman

Trains To Brazil – Guillemots

Big Girls - Mika (Bonde do Rolê remix)

Se Ela Dança eu Danço - Mc Marcinho

Já Sei Namorar – Tribalistas

Um Certo Alguém – Lulu Santos

Mmmbop - Hanson

Anna Júlia - Los Hermanos

7.11.07

diário da Mostra - repescagem 1

02/11 - sexta-feira.


Cibelle, no Auditório Ibirapuera e no Música de Bolso.

diário da Mostra - último dia

01/11 – quinta-feira
(cotações de * a * * * *)

Truques, de Andrzej Jakimowski
POLÔNIA
* * *
A cabeça dispersa pôde ainda assim achar o filme simpático, de uma leveza agradável e esperta em explorar, sob o olhar infantil, mas sem clichês desse gênero, uma história de desagregação e busca. Talvez merecesse um segundo olhar mais cuidadoso, para fazer coro aos amigos que amaram e aos que abandonaram a sessão aos 15 minutos.

Persepolis, de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud
FRANÇA
* * 1/2
Careeeeta, mas altamente palatável. Agrada sem surpreender ou incomodar. É uma animação com traços interessantes e narrativa épica – dezenas de fatos se sucedem, sem atenção dramatúrgica específica a nenhum deles, contanto uma vida cheia de movimento e dor, numa narrativa que mantém aura “suave”. Conflitos no Oriente, para crianças. Nem por isso desprezível.



Canções De Amor, de Christophe Honoré
FRANÇA
* * * *1/2
Você gosta de musicais? E de histórias de amor? E de histórias de amor interrompidos, transformados, impossíveis? E da França, você gosta? Você tem a alma aberta ao romantismo desenfreado e ao escapismo docemente exibido e auto-indulgente que só o cinema sabe proporcionar? Ah, tá. Então é só mergulhar de cabeça e se apaixonar por esse filme.

diário da Mostra - dia 13

31/10 – quarta-feira

Nada.

diário da Mostra - dia 12

30/10 – terça-feira
(cotações de * a * * * * *)



Antes Que Eu Esqueça, de Jacques Nolot
FRANÇA
* * * *
Um ao mesmo tempo dilacerante e comovente retrato do homossexualismo na terceira idade, ou, se preferir, da solidão e seus percalços. Diálogos longos e sem enfeites, demorados planos de ação, que vão construindo e fazendo sentir a atmosfera e a vida do protagonista em todo seu abismo. Triste, é uma narrativa que não força o “dramático”, deixando-o aparecer no melhor estilo “as coisas como elas são” – ou podem ser. Um filme perturbador e verdadeiro, difícil em sua matéria humana e em sua construção sem adornos.



El Orfanato, de Juan Antonio Bayona
ESPANHA
* * * *
Que não haja engano: é uma obra nos moldes “comerciais”, que usa todas os truques e convenções narrativas do cinema como o conhecemos. Mas como os usa bem! Com inteligência dramatúrgica e estética, especialmente na opção em não ceder a um final explicativo e “científico”, assumindo-se como a fábula gótica que é (acredite, é uma releitura sombria de uma clássica história juvenil, que não convém revelar qual é), o filme arrepia a espinha não uma nem duas vezes, mas a cada 5 minutos. E isso não é uma figura de linguagem. Irmana-se, por exemplo a O Sexto Sentido e, certamente, é o candidato a blockbuster de terror (psicológico) de 2008. Com muita justiça.



En La Ciudad de Sylvia, de José Luis Guerín
* * * ½ (ou * * * *?)
Ver o filme na seqüência de El Orfanato chega a ser irônico. Esse, em contraposição àquele, é um filme de exceção. Não segue qualquer regra ou traço pré-estabelecidos. Estende-se em longos planos e cenas observacionais, seja numa esquina onde transeuntes vem e vão, seja em um ponto de ônibus ou num café ao ar livre. A câmera assume o papel de um flaneur em busca da mulher amada e perdida. E é isso. Não ocorre nada que se possa chamar de “progressão dramática” a partir dessa premissa. O que o olhar do cineasta faz é um poema audiovisual do movimento e do encontro, das dezenas e milhares de pessoas por quem passamos, com quem co-existimos, daquelas que olhamos por 5 minutos com alguma curiosidade, ternura, desprezo, àquelas com quem queremos passar horas, dias, uma vida inteira. A Estrasburgo de Sylvia é uma cidade de fronteira, de confusão geográfica, de muitas nacionalidades – é a cidade do espírito errante no jogo de perder-se de si mesmo e achar-se, constantemente.

diário da Mostra - dia 11

29/10 – segunda-feira
(cotações de * a * * * * *)


Todas As Belas Promessas, de Jean Paul Civeyrac
FRANÇA
Entrei na sessão já sabendo o que o destino me aguardaria. Mas, antes de dormir (sim, é vergonhoso o tanto que se dorme, sem e por querer, em Mostras), pude notar um realizador com um universo de temas interessantíssimo. O filme em si, não deu pra dizer que foi visto.



A Retirada, de Amos Gitai
ISRAEL/ FRANÇA/ ALEMANHA/ ITÁLIA
* * * *
Desde O Dia Do Perdão, Amos Gitai não fazia um filme que casasse tanta beleza formal e humana com uma camada tão sólida de dor e agonia. Em seu eterno retrato do conflito entre judeus e palestinos, aqui há Juliette Binoche pouco parecida com Juliette Binoche, Jeanne Moreau (em rápida participação) e uma narrativa bipartida. Um primeiro ato solar e algo lírico em sua alegria juvenil (em grande parte graças justamente à srta. Binoche) dá vez a uma expedição de desocupação da Faixa de Gaza trabalhada com frieza “documental”. Durante todo o tempo, os longos e admiráveis planos-seqüência e um filme cheio de vida.

Hana, de Hirokazu Kore-Eda
JAPÃO
* * *
Kore-Eda é o homem do metafísico feito assombro fotográfico em Maborosi, da ciranda da efemeridade e da morte feita cinema em Depois da Vida e da vida feita delicadeza, sob a dura perspectiva infantil do abandono, em Ninguém Pode Saber, todos filmes fantásticos. Não se entra em um filme seu, portanto, esperando pouco. Hana é uma comédia de ambiente. Flagra-se, no Japão do século XVIII, uma pequena aldeia de “pobres coitados”, entre eles um samurai que tem como missão vingar a morte do pai. Muitas subtramas acontecem, entrecortando a história de um herói ao qual é dado um destino que ele não deseja. O olhar sobre essas forças exteriores que nos cobram cumprir uma missão que no íntimo não nos pertence é sensível e recompensador. A construção do tempo/espaço da mise-en-scène é, da mesma forma, claramente obra de quem sabe o que faz. Mas em se tratando de quem é, fica difícil não haver uma pequena frustração.

31.10.07

diário da Mostra - dia 10

28/10 – domingo
(cotações de * a * * * * *)



Atrizes, de Valeria Bruni Tedeschi
FRANÇA
* * * *
Pode soar como um filme “banal”, mas pode também ser uma sensível e múltipla investigação sobre a arte humana de representar (e não estamos falando dos atores, nem das atrizes) e sobre o tempo deixando planos e sonhos para trás. E sobre o fracasso, por que não? Há ecos claros da tradição de "filmes-de-palco", como Noite de Estréia, de John Cassavetes, ou Quem Sabe, de Jacques Rivette, e até Tiros na Broadway, de Woody Allen, quem sabe. Filme-egotrip da atriz que o protagoniza e dirige, nem por isso sucumbe ao egocentrismo. Tudo parece fora de controle – e está mesmo, em certo nível. Mas essa capacidade de ser coerente e satisfatório em sua aparente falta de rumo, fazendo com que personagens e situações se desviem de uma rota que parecia já bem traçada, talvez seja o maior atrativo e o ponto de simpatia entre a obra e o público. E vale dizer que o filme vai ficando na cabeça.


depois...


TIM FESTIVAL – Arena Skol Anhembi, São Paulo

A tal da área VIP tinha bebida de graça. E tinha a Thereza, o Marcus, o Santini e a Isabel. E vários outros amigos e conhecidos. E eu consegui trazer o Ricardo para dentro, clandestinamente. Então faltava o que, mesmo? Ah, sim, os shows (e o Arrigo...). Mas por mais sensacional que tenha sido ver/ rever/ re-compartilhar essa música toda, a diversão morou nos entremeios e nos detalhes.

HOT CHIPS
Era pra ouvir Over and Over? Cheguei, tocou, o show acabou. Missão cumprida, mais uma vez.

BJORK
Tudo de novo, tudo tão bom quanto.



JULIETTE & THE LICKS
Ela como cantora é uma ótima atriz.

ARCTIC MONKEYS
Sem Mardy Bum, de novo. Mas excelente.



THE KILLERS
Depois de ouvir Sam’s Town e When You Were Young, achei que tinha cumprido a missão e me deixei vencer pelo cansaço.

diário da Mostra - dia 9

27/10 – sábado
(cotações de * a * * * * *)


Ressaca, outras 6 horas de ônibus de volta a São Paulo e...


Sukiyaki Western Django, de Takashi Miike
JAPÃO
* * *1/3
Um extravagante e divertidíssimo delírio de gênero que presta contas aos faroestes italianos ditos “B”. Tem violência estilizada, cambalhotas visuais e humor negro de altíssima linha, amarrados por uma trama de acerto de contas. Não é à toa que o diretor Quentin Tarantino está escalado como ator, em participação especial, devolvendo – ou homenageando – a influência, numa rocambolesca antropofagia.

diário da Mostra - dia 8

26/10 – sexta-feira

Seis horas de ônibus até o Rio de Janeiro e...

TIM FESTIVAL – Marina da Glória, Rio de Janeiro

Antony and The Johnsons
Show certo no lugar errado. Gente de pé, dispersa, preocupada em conversar, beber e esperar a Bjork. Além de que, Antony iria substituir Feist, três horas mais tarde, em outro palco, o que fez com que ele cortasse pela metade o show, em comparação ao que apresentara em SP na noite anterior. Não fiquei para ver, para não estragar o êxtase adquirido.



Bjork
Fenomenal. Bandeiras, banda feminina de sopros, instrumentos eletrônicos cheios de pompa, a cantora vestida de bombom Ferrero Rocher e soltando teias de aranha pelas mãos. O fato de eu não ter uma relação especial com sua música não mudou em nada o fascínio pela cantora de voz única, gestos encantadoramente desengonçados e uma energia artística fascinante. Valia a pena ver de novo – o que justamente aconteceria dois dias depois.

Hot Chips
Era pra ouvir Over and Over, não era? Ouvi. Foi legal.



Arctic Monkeys
Com aquela cara de garoto de 17 anos, Alex Turner e seus comparsas incendeiam a platéia no primeiro acorde e praticamente emendam uma canção na outra, sempre com a fúria e a potência daquilo que se costuma chamar “rock”. Não há performance propriamente dita além da música em si – como há em Bjork, por exemplo – mas não precisa. Quem gosta do ótimo barulho que eles fazem, está servido com um desempenho limpo e devastador. É deitar e rolar.

Montage, Vanguart e Del Rey
Ah, é! Não teve. Porque a organização do Tim Festival foi capaz de montar um palco em área ao ar livre e cancelar os shows, que lá aconteceriam, por causa da chuva. Porque é difícil prever chuva, mesmo.

30.10.07

diário da Mostra - dia 7

25/10 – quinta-feira


TIM FESTIVAL – Auditório Ibirapuera, São Paulo

Toni Platão
Deu para agüentar três musicas, por curiosidade mórbida.



Cat Power and Dirty Delta Blues
Entrando antes do anúncio oficial que deveria chamá-la ao palco, curvando-se estranhamente, como quem solicita ou dedica uma oferenda, sorrindo, já meio louca e meio lírica – sensação que só se acentuaria ao longo da apresentação – Chan Marshall/ Cat Power era algo hipnotizante. Sua música estava em desacordo com seu corpo. Havia dor em uma, desprendimento em outro. Desconstruiu suas próprias canções e algumas versões, andou freneticamente de um lado para o outro, pediu mais retorno muitas vezes. Cantou triiiiiste e lindo.



Antony and The Johnsons
Um verdadeiro recital. Ao piano, Antony Hegarty era escudado por violão, violino, violoncelo e baixo e com toda a delicadeza do mundo entoava melodias tristes e sublimes. Descontraído e brincalhão nos intervalos das músicas, nem parecia o homem que inundava palco e platéia de caudalosa emotividade assim que elas começavam. E que transformava qualquer coisa em beleza lírica – até mesmo o hino-pop-brega I Will Survive.

diário da Mostra - dia 6

24/10 – quarta-feira

A sessão de Glória ao Cineasta lotada às 12h30 de uma quarta-feira e essa incapacidade de previsão do comportamento do público. Irritou, não vi mais filmes.

24.10.07

diário da Mostra - dia 5

23/10 - terça-feira
(cotações de * a * * * * *)

(É impressão só minha ou a Mostra está desnorteantemente lotada esse ano? Não há mais regra: sessões esgotam no meio da tarde, em dias de semana, exibindo filmes de diretores “desconhecidos”, sem grandes indicações ou atenção de mídia. Melhor assim, sempre, mas pior assim, quando se perde A Questão Humana, filme recomendando e pelo qual a ansiedade era grande.)

Mas...


Longe Dela (Away From Her), de Sarah Polley
CANADÁ
* * * (e 1/2?)
O que é esse sentimento que cimenta um casamento? O que faz duas pessoas ficarem juntas por 44 anos (ou mais)? De onde vem, como se transforma, em que se transforma, pra onde vai, o que faz e o que é isso que chamam amor? Múltiplo como o branco, que não existe em estado puro e é a soma de todas as outras cores, o amor é a palavra na qual se abrigam a soma e o confronto de uma porção de outras coisas, inevitavelmente. Sarah Polley finge que está fazendo um filme sobre a doença de Alzheimer e faz um filme sobre a permanência e a aceitação. Sobre um casal que não passou um mês separado durante 44 anos. E que passa em revista passado, futuro e principalmente presente, diante de uma perspectiva sombria. Algumas convenções por demais convencionais (mas que funcionam sem precisar de muita condescendência) não tiram o mérito da diretora de conter o que poderia ser um dramalhão desregradamente lacrimoso, escudada em Julie Christie e, principalmente, Gordon Pinsent. E em um olhar delicado e esperançoso – ainda que num filme triste – sobre a construção de uma vida conjunta.


El Otro, de Ariel Rotter
ARGENTINA/ FRANÇA/ ALEMANHA
* *
Quando eu estava achando clima e atmosfera parecidas demais (inclusive com o mesmo ator) com o excelente filme O Guardião, de Rodrigo Moreno, dormi. Mas mesmo com o filme mal visto ficou a sensação de uma obra algo pretensiosa, que acaba sendo mais vazia do que sobre o vazio.



Le Voyage du Ballon Rouge, de Hou Hsiao-Hsien
FRANÇA
* * * * *
Deslumbrante. A vida mais banal e mais mágica feita cinema. A resignificação dos espaços. Os anseios, sonhos, dores e contratempos em pianos, fogões, vizinhos, filhos, mães, babás, Paris e um balão vermelho. A inocência da criança e da estrangeira feitas uma só. O olhar mestre e imigrante sobre as pessoas e suas vidas, aquilo que é, enfim, universal.

diário da Mostra - dia 4

22/10 - segunda-feira
(cotações de * a * * * * *)



Um Amor Jovem (The Hottest State), de Ethan Hawke
EUA
* * * * (ou * * * e ½, hem, J.C.??)
De As Paredes do Chelsea Hotel para cá, é notável a progressão do Ethan Hawke cineasta. Adaptando um romance de sua própria autoria (que contém tintas que parecem bastante biográficas) e talvez por isso mantendo acima de tudo a pessoalidade, ele consegue fazer um filme sobre jovens que não é um “filme sobre jovens”, mas sim um sentimental, belo, divertido e sincero retrato de amores encontrados e perdidos, amadurecimento, vida familiar e aquela adolescência renitente que insiste em perdurar aos 20, aos 30, aos 40... Em tempos onde as liberdades emocionais multiplicam-se, o processo de fazer e desfazer caminhos é o objetivo da jornada em si, mais do que atingir um ponto de chegada ilusório. Essa sensação, somada à bagagem que arrastamos conosco nesse percurso, é a matéria sobre a qual se constrói um filme cheio de frescor, surpreendentemente jovem de espírito (e com participações impagáveis de Sonia Braga – sim, Sonia Braga! – e Laura Linney, além da competência dos protagonistas Mark Webber e Catalina Sandino Moreno).

Cristóvão Colombo – O Enigma, de Manoel de Oliveira
FRANÇA/ PORTUGAL
* * *
Chamar de “específico” o cinema de Manoel de Oliveira pode ser diminuir uma arte lapidada em mais de 90 anos. Mas não ocorre palavra melhor, pelo menos não agora, não para esse filme, não no turbilhão da Mostra. Retomando uma espécie de cinema histórico que estava no recente Um Filme Falado (mas não só nele), Manoel remexe a vida e o mito de Cristóvão Colombo, colocando a si mesmo em cena para tal, inclusive. E de uma forma tão especial que dá à obra uma humanidade e uma autenticidade que a resgatam do que poderia ser, maldosamente colocando, uma aula ilustrada de história, apenas.



I’m Not There, de Todd Haynes
EUA
* * * *1/2
As cinebiografias – em especial as musicais – nunca mais serão as mesmas. Pela ousadia, pela criatividade, pela inteligência dramática e cênica, pela “costura” visual que tudo adquire em uma montagem certeira, pelos atores (meu deus, meu deus, será que há limites para Cate Blanchett?!), por um filme que vibra por, sobre, com e além da musica e da vida de Bob Dylan. Uma ópera, uma epopéia, um filme que transborda de som e fúria, imagem e música, que preenche os sentidos e o intelecto exatamente como eles gostam e merecem.

23.10.07

diário da Mostra - dia 3

21/10 – domingo
(cotações de * a *****)



Sonhando Acordado (La Science dês Rêves), de Michel Gondry
FRANÇA/ ITÁLIA
* * * *
Com um atraso inexplicável, finalmente pôde ser visto em nossas telas o filme que Michel Gondry realizou depois de sua obra-prima pop, Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças. Aqui, como lá, há muita fantasia interferindo na realidade e moldando-a, numa via de mão-dupla. O que varia é a forma e o grau de organização e progressão narrativas. Em Brilho Eterno, a história, ainda que de forma não cronológica, era preocupada em contar-se, majoritariamente. Nesse Sonhando Acordado, em acordo com a matéria dramática do filme (centrada em um rapaz que mistura sonho e realidade), há uma maior liberdade associativa conduzindo a trama. Trama essa que vem repleta da inventividade que é marca de seu diretor e também de um carinho enorme que ele parece nutrir por seus personagens. O casal central parece tão livre em cena quanto o filme em si, e tão adorável também. Gondry faz mais um filme em que o amor é a palavra de ordem (e toda a loucura e a fantasia e o onírico associado a ele), e no qual o sentimento é tão claramente vívido porque o cineasta (também roteirista), não cria personagens para levantar teses ou cumprir objetivos, mas sim para que eles existam. E, como demiúrgo, gosta de sua criação e trata-a com todo carinho e desvelo.

De Volta À Normandia (Retour En Normandie), de Nicolas Philibert
FRANÇA
* * *
Na linha de duas obras-primas documentais de nossa cinematografia, Cabra Marcado Para Morrer e Santiago, em que os autores não só colocam-se integralmente em suas obras, mas, antes, utilizam-nas para revisitar seus passados, Philibert, do aclamado Ser e Ter, retorna ao primeiro longa de ficção em que trabalhou, retomando a história passada por trás da realização do filme e a vida presente dos atores não-profissionais que trabalharam nele, então. Acompanha-se tudo com certo interesse, mas tudo quase resvala no desinteressante. Eu disse quase. Porque Philibert sabe conduzir sua jornada e torná-la digna de acompanhamento, mas deixa na tela uma sensação de promessa não cumprida de epifanias (de qualquer tipo, principalmente as mais simples e cotidianas, sempre as melhores). E isso pode ser um problema do filme tanto quanto do espectador.


SOS Saúde (Sicko), de Michael Moore
EUA
* * *
A essas alturas, depois do constrangedor Farenheit 11/09, todos sabemos os problemas do cinema de Michael Moore, sendo que o maior deles é o de utilizar-se de recursos éticos e estéticos que não o tornam aceitável, pelo dito “cânone”, como descendente da tradição do documentário cinematográfico. Seja ou não moralmente digno, seja ou não “verdadeiro”, seja um programa de televisão feito para passar no cinema (e aqui já entramos numa briga que não há tempo nem espaço de levar adiante), a verdade é que ninguém pode negar a inteligência de Moore. E seu talento para a narrativa (ainda que manipuladora) e, principalmente, para a comédia. Radiografando as agruras do sistema de saúde norte-americano, Michael Moore torna-se piegas, sim, manipulador, sim, panfletário, sempre. Mas é também a pessoa que cutuca a ferida (para o bem ou para o mal), que escancara o humor que existe no(s) absurdo(s) cotidiano e que, quando não escorrega em demasia, nos entretém como ninguém (ou justamente como o grande showman que é), ainda que com assuntos trágicos. É refletir rindo, ou rir sem refletir, ou rir para aceitar o inaceitável. É para ser ambíguo como só ele sabe. É o homem que amamos odiar – ou que adoramos amar e ponto.



À Prova de Morte (Death Proof), de Quentin Tarantino
EUA
* * * *
Todo mundo sabe que ele domina a câmera e a linguagem como poucos. A serviço de quê Tarantino coloca sua maestria é que se torna a questão, filme após filme. Em Kill Bill ele engendrava uma verdadeira ópera pop, repleto de referências e, principalmente, com personagens e uma trama capazes de tornar irresistíveis as maiores banalidades e as mais temerosas mortes. Agora, o “cinema de gênero”, que sempre foi a menina de seus olhos e que sempre se fez presente tangenciando as bordas e os centros de seus filmes, assume o centro da cena. Tarantino trabalha com a recriação mais detalhista, enxuga história. Tudo se passa em pouquíssimas seqüências, com tempo interno bem próximo ao real. Personagens, apesar de manter aquela assombrosa chama vital que parece tão própria de seu cinema, agora são mais “funcionais”. Estamos a serviço dos carros – e do mistério e da tensão e da faiscante adrenalina que eles imprimem a espetaculares cenas de ação (será que é assim mesmo que devemos chamar?) e ao filme como um todo. Pessoalmente, Tarantino me atinge com mais exatidão quando, em seu cinema-sobre-o-cinema deixa existir mais vida (ainda que ela venha sempre inevitavelmente manchada de sangue) e menos cinema (pelo simples cinema). Aqui é cinema pelo cinema. (“Eu sou um homem de armas, e um humanista. E essa combinação é difícil em qualquer século.”, diria Mauricio de Nassau em Calabar, de Ruy Guerra e Chico Buarque.) Fãs de cinema (e fãs do Tarantino esteta e referencial, “homem de armas”) podem delirar. Mas fãs de cinema (e fãs do Tarantino que inventa personagens e tramas como ninguém, “humanista”) podem torcer o nariz. É possível, também, como eu, talvez, ficar no meio do caminho.


PS:
Passados 4 dias, amo o filme e acho que Eduardo Valente disse aquilo que eu não soube, AQUI.

diário da Mostra - dia 2

20/10 – sábado
(cotações de * a *****)



O Homem de Londres (A Londoni Férfi), de Bela Taar
HUNGRIA/ FRANÇA/ ALEMANHA
* * * * *
Depois de achar o filme completamente deslumbrante, de uma precisa, fina e bela arquitetura (espacial e dramática), soube, por amigos, que ele foi ridicularizado no Festival de Cannes, por público e imprensa. Um outro amigo chamou-o de “arrogante”. Refleti, mas não diminuí minha admiração por um filme que me parece de um equilíbrio fenomenal, desdobrando sua narrativa aos poucos, como um sofisticado leque. O espaço cênico capturado por extasiantes planos-sequência vai se revelando progressivamente (começamos em uma espécie de observatório marítimo para aos poucos entender a cidade ao seu entorno e as posições claras que os locais ocupam uns em relação aos outros). A fotografia é capaz de criar jogos de claro-escuro de arrombar as retinas. E o que poderia ser só formalismo vazio vai adquirindo um intrincado e pungente sentido dramático na medida em que a trama vai, ela também, se revelando (e revelando suas ambigüidades e reentrâncias) cena após cena. É fácil entender como um filme desses é capaz de afastar os espectadores. Mas não é nada difícil aceitar e fascinar-se com sua proposta. Porque, no fundo, toda obra de arte é mesmo “arrogante”.



Vocês, os Vivos (Du Levande), de Roy Andersson
SUÉCIA/ ALEMANHA/ FRANÇA/ DINAMARCA/ NORUEGA
* * * * *
Como se O Homem de Londres já não tivesse sido combustível intelectual e estético para um dia inteiro (ou mais), Roy Andersson leva adiante a proposta que demarcara claramente no impressionante Canções do Segundo Andar e consegue fazer de Vocês, os Vivos, filme do qual já se tinha todas as referências, uma deliciosa surpresa. O tom algo mais grave, soturno, alarmista até, que sua obra anterior possuía é diminuído em favor de uma ambientação que não seria exagerado chamar de “solar”. O humor e a música entram sem pudor no “universo paralelo” que o diretor constrói utilizando-se de uma direção de arte rigorosa e impecável e de uma fotografia calculadamente esmaecida, que enquadra cenários oblíquos sempre de forma a criar algum ponto de fuga diagonal em seus quadros estáticos. Mas não só. A observação “teatral” que se tem da cena, na medida em que o plano é sempre único, longo e geral, deixa os atores como mágicos centrais da irrepreensível mise-en-scène. Vestidos e maquiados de modo a corroborar um mundo de fantasia que é extremamente real, criam, às vezes apenas com silêncios e gestos, cenas trágicas e hilárias, da mais absoluta humanidade. Há ternura e acidez, remetendo, em seu todo, ao Jacques Tati de Playtime (o que não poderia ser um melhor elogio). Trata-se, enfim, de um filme que dá à vida um filtro estético estarrecedor e, sem trai-la, a torna surpreendentemente atraente. O que mais se pode querer do cinema, afinal?


Control, de Anton Corbijn
REINO UNIDO/ EUA
* *
Cinebiografia de Ian Curtis que começa promissora mas logo cai na vala comum do simplismo dramático - tudo muito bem disfarçado numa embalagem estética pretensamente atraente. Basicamente, o filme não oferece uma chave de envolvimento emotivo com personagens e situações, tampouco os dá vida e compexidade de forma estética (como faz, por exemplo, I’m Not There, a saber). Há quase um maniqueísmo boboca na relação entre o protagonista e sua mulher e impõe-se um distanciamento “cool” entre o filme e seus personagens que me parece, claramente, um tiro no pé. Tudo não demora a ficar chatinho e algo besta. Esse olhar que pode ser lido como “observacional”, onde o gênio precoce e atormentando é mostrado com certa crueza (impressão reforçada pela fotografia em preto-e-branco), é contradito, por exemplo, pelas inserções musicais algo óbvias. É um filme que faz muita gente feliz (especialmente fãs de Ian Curtis/ Joy Division), não há dúvida. Mas que, em sua essência, é um cinema tolo.

diário da Mostra - dia 1

19/10 – sexta-feira
(cotações de * a *****)


A Ilha (Ostrov), de Pavel Lounguine
RÚSSIA
*
As referências eram As Bodas, filme do diretor que esteve em cartaz nos cinemas brasileiros lá para os idos de 2001 e que era bom, até onde a memória deixa saber. Mas este A Ilha mostrou-se de cara aborrecido e desinteressante. Tudo parecia sério e solene demais. Dormi. Quando acordei, o filme era uma comédia (sombria, mas uma comédia). Duas cenas depois, voltou a ser um drama versando sobre amargura e perdão. Mas de forma mais do que aborrecida.

Fay Grim, de Hal Hartley
EUA/ ALEMANHA/ FRANÇA
* * *1/2
Quando um filme começa com a prosaica cena de uma mãe sendo chamada à escola do filho para uma advertência, em uma pequena cidade dos EUA, e termina em uma conspiração terrorista internacional na Turquia, é fácil reconhecer que se está diante de uma obra de Hal Hartley, cineasta não muito afeito à convenção. Parker Posey domina a cena nos diálogos rápidos, afiados e engraçadíssimos do primeiro ato. O filme pousa na França e sua trama se multiplica em vários personagens e conspirações, ainda mantendo um saudável tom de comedia amalucada, no segundo. No terceiro, por mais que as brechas do nonsense fiquem abertas, uma inadvertida seriedade toma conta da história. Tudo acaba um pouco desconjuntado – ou perfeitamente dentro de contexto, num filme que não se limita ao “normal”.




Não Toque no Machado (Ne Touchez Pas La Hache), de Jacques Rivette
FRANÇA/ ITÁLIA
* * * *1/2
Adaptando Balzac, Rivette faz exatamente aquilo contra o que o cineasta Peter Greenaway vem bradando em anos recentes: um “texto ilustrado”. Mas o faz brilhantemente. Dois personagens, defendidos por dois grandes atores, travam um desnorteante jogo de poder em uma relação amorosa – ou, antes, duelam pelo domínio sobre o outro antes mesmo que se estabeleça uma “relação amorosa”,http://www.blogger.com/img/gl.link.gif aos moldes clássicos. Mas que se desenrola de forma tão intensa que pode re-significar, também, o termo “relação amorosa”. E que conduz a platéia entre o deleite e a angústia, dando-a matéria humana de sobra.


PS:
A primeira cena de conflito entre os protagonistas remete imediatamente ao mais belo momento da ópera Manon, de Massenet. Lá, a heroína vinha suplicar ao herói, em retiro religioso, que reacendesse o amor que ele possuía certamente guardado em si, indagando porque o sentimento mudara (“não é mais minha mão, que sua mão aperta, como antigamente?”, “não é mais minha voz, não é mais Manon?”). No filme, é o herói quem, com sua presença, tenta demover a mocinha a entregar-se irremediavelmente ao celibato da religião. Aqui, toda a maravilha da operística cena de Manon.

14.10.07

e em 5 dias começa a MOSTRA.


(será que vai ter diário?)

soda shop

para pular a fala inicial, com uma "polêmica" que já ficou veeeeeelha, e ouvir a música, doce como esse domingo chuvoso. (início aos 2'40")


27.9.07

14.9.07

de bruços ou de costas (?)

foi um dia no teatro e anos riscando o disco na vitrola.

nada, nada, nada substitui o ao vivo, mas confesso-me emocionado de ter encontrado isso, hoje, aqui nas curvas virtuais:



6.9.07

eu...

... ... JURO que vou voltar a escrever aqui.



tenho muito (ou nada) para falar sobre Santiago e uma coisa ou outra sobre As Leis de Família.



mas, por enquanto, só Música de Bolso.

23.8.07

agonizando uma paixão vadia

maravilhosa e transbordante, feito uma hemorragia

6.8.07

Je passe devant l'impasse de mes désirs...

1.8.07

30 de julho





ANTONIONI.


BERGMAN.


no mesmo dia.

porque talvez o trem dos imortais fosse passar só uma vez nesse ano...

29.7.07

coleira




Cão Sem Dono é um filme desnorteante. Porque escancara um naturalismo raro. Muito raro. Porque não corta. Porque possui uma coerência e uma expansão narrativa certeiras. Porque encontra em Júlio Andrade um protagonista a altura de sua simplicidade. Porque encena diálogos de uma verdade encantadora e sufocante. Porque aponta a capacidade e a disposição de Beto Brant em arriscar-se e demonstra saudável a abertura para a parceria com Renato Ciasca.

Porque é capaz de utilizar recursos de desprendimento - despir-se, enfim. E faz isso sem perder o equilíbrio, o senso estético ou a racionalidade. Porque encontra em Marcos Contreras e Janaina Kasmer os melhores coadjuvantes e uma das melhores cenas de nosso cinema recente. Porque une ética e estética em um projeto afinado. Porque acredita em si mesmo até o final. Porque é um belíssimo filme.

27.4.07

silêncio

Morreu hoje Mstislav Rostropovich.

Quem conhece deve estar de luto.

1.2.07

é verdade (e um provável sinal de que o mundo está mesmo perto do fim)

01/02/2007 - 09h11

Após "chacoalhão de Deus", Ronaldo Esper pretende ser vereador.


A ex-BB Grazi Massafera foi escolhida para encarnar Maria Madalena na mais famosa encenação nacional da Paixão de Cristo. (!!!!!!!!!!!)

é mentira, mas é genial.

5.1.07

negócio da china

sorte do biscoito chinês:


você deve se esforçar para ser uma pessoa ainda mais culta.




humm... será?