5.11.09

Mostra - dia 10: vigor francês

01/11/2009















Ricky
, de François Ozon (FRANÇA)
* * *
Um Ozon despreocupado, acreditando em seu início de tintas naturalistas (e até com questões socio-econômicas) tanto quanto no puro realismo fantástico que invade a ação, levando-a por fim a um desfecho fabular. O livre fluir com que o filme alterna seus gêneros (ou os funde) me parece seu grande feito, já que não alça maiores vôos. Em nenhum momento, no entanto, deixa de ser ser absolutamente agradável de assistir.















A Família Wolberg, de Axelle Ropert (FRANÇA)
* * * *
A crítica generalizante aos "filmes de mulher" (ou seja, dirigidos por elas) dobra-se diante dessa incomum obra francessa e do improvável feito de Axelle Ropert em dar novos tons a mais uma história de família disfuncional. A chave parece ser a ausência de alarde e até uma espécie de naturalidade que os personagens impõe a seus próprios problemas (como se fosse Um Conto de Natal, de Arnaud Desplechin, sem o histrionismo de linguagem), bem como o recorte dramatúrgico que esses conflitos ganham. Não se vê as coisas exatamente pelo ângulo que se espera e os momentos centrais do roteiro são encenados de modo menos dramático, com menos alarde e sob ponto de vista mais oblíquo do que se poderia supor. Floresce daí uma verdade tão mais verdadeira, portanto - a teia de relações erguida sobre as oscilações entre contenção pública e desespero íntimo (e a eventual mistura entre os dois pólos) resulta não só em grandes cenas, com teor cinematográfico rico, mas em matéria humana plenamente legítima.


I Love You Phillip Morris, de Glenn Ficarra e John Requa (EUA)
* * 1/2
Jim Carrey é engraçado. O roteiro é esperto, fluido, com alguns momentos divertidos. Ewan McGregor é bom ator. Jim Carrey cansa. O roteiro é redundante e superficial. Ewan McGregor fica muito perto do estereótipo.

Um comentário:

Fábio disse...

O que mais gosto nos filmes do Ozon é justamente esse passeio entre os gêneros (e a eventual desconstrução deles): o musical, o policial agatha christie, o drama-de-câncer, o filme de amor, o filme de época, mas sempre com uma assinatura. (Diferente de Woody Allen em Match Point, por exemplo, que é muito bom mas, como apontou o Inácio Araújo, podia ter sido feito por qualquer outra pessoa que ninguém ia notar).
Em Ricky, acho que algo se perde nessa mistura de gêneros no mesmo filme (principalmente no final), mas não o bastante pra me incomodar.