5.11.09

Mostra - dia 8: a habilidade de Bellocchio e a preguiça de Amos Gitai

30/10/2009















Vencer
, de Marco Bellocchio (ITÁLIA)
* * * *
Todos os mecanismos do grande cinema manejados de forma mais do que hábil. Operístico e épico, sem descuidar das subjetividades - melodrama, enfim. Belíssima encenação, dos atores à fotografia, tudo no lugar. E uma sensação viva das bordas do mecanismo do mundo, que roda impiedoso, com tramas de poder sempre sufocando as experiências humanas menores e mais... humanas. Os detratores gostam de dizer que toda a amplitude do leque "pequeno homem X História" já foi vista e mais vista. É verdade. Mas nem sempre com tamanha e tão bem organizada pompa, pungência, fluência e envolvimento emotivo sincero.


Carmel, de Amos Gitai (ISRAEL, FRANÇA, ITÁLIA)
*
E Amos Gitai abre a temporada de "vale tudo"! Num lance que soa a picaretagem mesmo sabendo que a matéria prima é de ordem tão pessoal e auto-biográfica, o tédio e o aborrecimento imperam, como se o cineasta se afundasse na auto-indulgência e não prestasse qualquer atenção real no filme que de fato está pretendendo oferecer ao público. Ou, antes, como se o público sequer importasse (ou existisse). Gitai (que, vale dizer, é diretor que já muito admirei em ocasiões anteriores) faria melhor resolvendo-se em sessões de análise e poupando sua filmografia de uma bobagem tão sem acabamento, tão chata e inócua de ver e que chega a soar mesmo a um bocado de preguiça de fazer um filme com coesão e sentido, quaisquer que fossem. Como disse um amigo, impossível não pensar em Elia Suleiman (e na estatura a que ele elevou seu próprio material auto-biográfico) e suspirar.


O Dia da Transa, de Lynn Shelton (EUA)
*1/2
Outra bobagem. Com um certo ar moral "progressista" e modernoso em sua feitura barata e simplificada, O Dia da Transa é mesmo só um filme simplista. Ou um filme fracote, sem ganas de ir muito além de uma premissa curiosa (se eu disser que é "filme de mulher", será que o esquadrão anti-misoginia vai apitar?).

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