14.1.09

dias de Berlim - 10

a perspectiva de ir embora de Berlim já parece desoladora. mas é momento de pôr ordem nas malas, enfrentar a ressaca e fazer check-out.

deixo o metrô de lado e ando, querendo ver os prédios, as ruas e as pessoas, uma vez mais. o frio já nem parece tão cruel ou então meu casaco novo me faz bem.

quase 3 km me levam ao Zur Ietzen Instanz, o restaurante mais antigo de Berlim, onde encontro Flávia para a última de nossas refeições típicas. o lugar está lá desde 1621. você aí consegue conceber um restaurante que está lá desde 1621?? nem eu.

mas ele está. e serve tradicionais pratos de porco, batata e repolho, porque hoje a brincadeira é comida alemã mesmo (e em porções semi-colossais).

de lá, metrô de volta, porque agora o frio já parece incomodar. paramos em uma loja de souvernirs, porque é inevitável viajar sem fazê-lo.

mais alguns quarteirões pela Friedrichstrasse levam à esquina onde me separo de Flávia, grande companheira de viagem e de vida, minha família, ex-vizinha que agora fica.


(lá na nossa cidade, as festas na minha casa, os cafés, bares, baladas, restaurantes bons e típicos em almoços de final de semana, a sobremesa de banana do Gopala, a Mostra e os shows, a Paulista e a Augusta, as risadas, as conversas sobre literatura e as danças na Loca, tudo vai ser mais triste sem você.

mas você vai ser feliz pra caralho, né, Flavinha? e se você por acaso não for, promete que volta correndo! porque longe é só um lugar aonde a gente nunca vai e o destino talvez seja mesmo aquilo que sai de você e enfrenta o mundo.

a gente chora na esquina gelada, com o coração sangrando, mas olha que cidade fantástica você escolheu pra você! o metrô nem tem catracas...

e a nossa ponte aérea Berlim-SP vai ser tão curta...

eu agora choro feito uma criança boba, usando aquele meu chapéu novo que compramos juntos, aqui nesse aeroporto, já morrendo de saudade. mas com a violenta certeza de que tudo vai dar certo. e está apenas começando.

the world is our dance floor now... e Berlim o seu palquinho.)



em seguida, Checkpoint Charlie com o coração apertado (alo, Dani, deixa a Flávia sozinha em Berlim pra ver o quão apertado pode mesmo ficar), hotel e aeroporto, de táxi, porque quem quer arrastar mala na neve??!

entro no avião justamente e ainda pisando em neve e com as pessoas provavelmente pensando que sou francês, já que o vôo é pra Paris e eu estou de chapéu e olhar triste.

o saldo das 25 Coisas a Não Se Perder em Berlim foi ter feito/visto/experimentado 18. João Vitor acha que eu fiz o melhor.

vou embora mais do que satisfeito. foram quase 10 dias inteiros aqui, como tinha sido o combinado lááá no início, lembra Thereza? (e que falta que Berlim sentiu de você!). vir e ficar, viver a cidade.

a cidade respira e circula, não oprime. é nova e velha, feita para as pessoas. fiz turismo, saí à noite e também fiquei sem fazer nada em Berlim. vou querendo ficar e querendo voltar. querendo passear no parque na primavera e andar de bicicleta.

apesar de todas os avisos, a verdade é que eu não achei que fosse me sentir tão à vontade em Berlim (quintal sem muros, né, Clara?).

*

chegar em Paris cansado e não fazer mais do que um reconhecimento dos arredores (Opera e adjacências). descobrir que há Two Lovers em cartaz – e está aí um filme que temos que ver.

Thereza, presa em uma greve italiana, não embarca e não chega.

Um comentário:

Flávia disse...

eu te amo, gomes.