31.1.09

arroz

quem não esteve agora há pouco na apresentação que Damien Rice fez naquela casa de espetáculos de Moema com nome de banco perdeu um enorme, um tremendo show. um verdadeiro acontecimento.

e tanto melhor porque expectativa nenhuma faria supor a efusividade que, sozinho com seu violão, Damien seria capaz de expor e provocar. que seu one-man-show seria tão impecável, sua voz tão ampla e que suas belas, arrebatadoras e delicadas canções seriam tão incendiárias ao vivo quanto já pareciam em disco, mas com o acréscimo insubstituível da tal união dos corpos.

que se parece (e é) um velho clichê dizer que o homem vale por uma orquestra inteira, quem suporia que o irlandês franzino que entrou no palco mudo e inundou de música o salão de uma histérica platéia ganha a priori, seria ele também um contador de histórias e um piadista de carisma explosivo. e, evidentemente, um músico capaz de entortar o mais alheio dos humores.

sem dizer que nada podia preparar a platéia para lances como mandar apagar todas as luzes da casa para apresentar determinada música, cantar no microfone do violão em outra, convidar quem quisesse subir ao palco (e, acredite, subiu MUITA gente) para cantar com ele e, no que talvez tenha sido o mais surpreendentemente simples recurso da noite, mandar desligar todos os microfones, vir à boca de cena e fazer os espectadores calarmos sem querer querendo para ouvir atentos um de seus maiores sucessos, a irresistível Cannonball.

depois do desarmado e sincero “it’s been amazing, thank you very much” (e não há como negar que tinha sido mesmo) o bis era quase desnecessário. mas trouxe Max de Castro ao palco para Desafinado, deu ao público a inevitável The Blower’s Daughter e fez Damien criar uma grande e espontaneamente roteirizada cena de bebedeira (mais uma vez chamando gente ao palco) para terminar tudo com Cheers Darlin'.

quem foi essa noite à casa de espetáculos com nome de banco saiu de lá feliz. e sentindo muito por quem não pôde estar presente.





Damien Rice e seu coral no palco do Citibank Hall




PS:
e acredite se quiser, mas a usual e horripilante disposição da platéia em mesas estava eficazmente substituída por filas simples e louváveis de cadeiras.

Um comentário:

Thereza disse...

Nossa, quero chorar.