15.3.06

entreato - aviao

Jah disse e re-disse que "Alice" nasceu da figura de Simone Spoladore e dos sentimentos provocados pela peca honmonima, na qual ela atuava.

Mas qual eram, afinal, esses sentimentos?

(E, que fique claro, eu tambem nao sabia. Talvez saiba-os agora.)


Eu moro numa cidade imensa. Num mundo imenso, onde todas as coisas que acontecem no universo particular de cada pessoa perdem-se, sao esquecidas. E qual eh o meu lugar nesse mundo, nessa cidade? Qual eh o meu lugar na minha vida? (sem lugar, sou um estrangeiro em mim...)

Nos passamos a existir, afinal, a partir dos lacos que atamos, espacial e emocionalmente. Ou emocionalmente no espaco. Como Joaos e Marias jogando migalhas, a depositar partes de nos no todo. Essa esquina, essa rua, essa sala de cienma. Essa musica, esse filme, essa cor, esse amigo. Esse amor. Os "meus" no mundo. Eu preciso disso. Eu, voce e todos nos (alo, Miranda July!)

Mas a arquibancada do Jockey Clube de SP nao sabe de fato que, um dia, uma sessao do entao Telefonica Open Air me fez gostar dali, afeicoado ao que eu achava ser uma visao da cidade "de fora". Porque eh preciso asir da ilha para ve-la, nao eh mesmo? (alo, Saramago!)

Pessoas sabem. Mas pessoas esquecem. Morrem. Vao embora (me diz por onde voce me prende, por onde foge e o que pretende de mim.)

Enfim, somos mesmo fadados a ser viajantes solitarios, mochileiros da galaxia sentimental, perdendo e ganhando, indo e vindo. Tendo para onde voltar para, soh assim, poder ir (alo, alo, Wong Kar Wai!). Fazendo dos outros portos ou barcos solidos, alimentando a ilusao consciente da eterna permanencia (leve-me com voce, por direcao qualquer...)

Ha quem saiba que se "Tudo O Que Eh Solido Pode Derreter" e a Ioio Filmes nao tivessem acontecido na minha vida, eu teria ido passar uma temporada no Oriente, lah onde o mundo eh de cabeca pra baixo (alo, "Felizes Juntos"...). Mas serah?

5 dias longe de casa e os elasticos que me atam esticam, esticam, fazem pressao. E o mochileiro da galaxia fica querendo emails, orkuts, vozes. Fica querendo mesmo eh olhar pro seu planeta, pensando nele. Fica querendo reconhecer-se, querendo o que eh "seu" (alo, Henrique Esteves! Sabe do que eu to falando, nao?!) Porque rio que perde o chao eh catarata (alo, alo, Caetano Gotardo! Que letra cada dia mais linda...)

Por que Alice vai embora, entao?

Porque mesmo que ela nao escute, do lado de lah do vidro tem alguem dizendo "eu te amo".



(C: Joel, what if you stayed this time?
J: I cant'. I have no memories left.
C: Come back and make up a goodbye at least
.)

2 comentários:

Anônimo disse...

avião dá medo, isso sim...

Caetano disse...

:_)

Sobre tudo isso aí há um e-mail que há tempos preciso escrever para você.